"Borderline é um termo em inglês que quer dizer fronteiriço, limítrofe, e que denomina o transtorno de pessoas que vivem exatamente assim: no limite de suas emoções" - Ana Beatriz Barbosa Silva, médica pós-graduada em psiquiatria e escritora.

20 de agosto de 2014

Nós, Borderlines/ Helena Polac, depoimentos compilados por Roberta Beline Maran. Joinvile-SC. Clube de Autores. S/D.

Este é o terceiro livro da professora, tradutora e escritora Helena Polak sobre o tema Transtorno de Personalidade Limítrofe ou Borderline, agora sugerida uma nova nomenclatura, Transtorno de Regulação Emocional. O primeiro, Sensibilidade a flor da pele, na apresentação a autora define: o livro aborda as características do transtorno, possíveis causas e tratamentos, emoções e dúvidas frequentes, atitudes que podem ser eficazes, dificuldades encontradas em situações mais extras, e recursos para melhorar a convivência através de maior compreensão e compaixão. Um livro direcionado a familiares e cuidadores de pessoas com o transtorno. O segundo livro, Alta Sensibilidade Emocional - novas perspectivas - direcionado ao border com o objetivo de contribuir para proporcionar mais segurança e tranquilidade às pessoas em busca de respostas, incentivando-as a procurar o suporte familiar e/ou profissional tão essencial para sua recuperação. Neste, é transcrito parte considerável do trabalho do livro anterior até mesmo pela necessidade de quem está tendo acesso a ele sem ter lido o primeiro. Nós, borderlines completa até então a trilogia sobre o assunto através de depoimentos de pessoas que sofrem do Transtorno de Personalidade Borderline. Experiências extraordinárias através de textos e poemas.

10 de agosto de 2014

O ALCOOLISMO/Ronaldo Laranjeira e Ilana Pinsky. 9ª edição - ~São Paulo: Contexto, 2012.

O Alcoolismo é um livro escrito por uma das maiores autoridades nesta área o médico psiquiátrico PhD pela Universidade de Londres, Ronaldo Laranjeira, em parceria com a psicóloga Ilana Pinsky e faz parte da 'Coleção Conhecer e Enfrentar', publicada pela Editora Contexto. Asseveram que 10% da população brasileira é dependente do álcool. Questionamentos como 'Quais os limites entre beber socialmente e ser alcoolista?' 'Quais os caminhos para se enfrentar o problema?' 'Que políticas públicas poderiam ser lapidadas em nosso país'? Também discutem os mitos e verdades sobre o alcoolismo. Um livro destinado a todos. indistintamente! Desde utilizado nas escolas, como referencial de cursos sobre o tema, ao usuário socialmente ou dependente, familiares e, principalmente, autoridades. É uma questão que atinge toda a sociedade em suas classes sociais. Interessante que além de conceituar o alcoolismo dedicam também sobre os efeitos das bebidas alcoólicas, prevenção do alcoolismo e o tratamento do alcoolismo. Alcoolismo que tem deixado sua marca através de problemas físicos, psicológicos e sociais.

25 de junho de 2014

ANSIEDADE: como enfrentar o mal do século: a Síndrome do Pensamento Acelerado: como e porque a humanidade adoeceu coletivamente das crianças aos adultos / Augusto Cury. - 1. ed. - São Paulo: Saraiva, 2014.

Não se pode desconhecer o gênero literário de auto-ajuda como um fenômeno na atualidade. Um produto comercial da ‘indústria cultural’, onde manuais se apresentam como ‘fórmulas mágicas’ para a superação dos males que determinam o mental das pessoas nessa lufa-lufa cotidiana. É um gênero que adota procedimentos linguísticos a partir de premissas apelativas, próprias dos segmentos religiosos que se alicerçam na ‘teologia da prosperidade’, ou estes naquele. Isso pouco importa. Tudo se resume na venda de sonhos. Muitas vezes assassinam bases cientificas através de novas nomenclaturas ou interpretações trazendo a ciência ao senso comum.

ANSIEDADE: como enfrentar o mal do século: apresenta a Síndrome do Pensamento Acelerado: como e porque a humanidade adoeceu coletiva- mente, das crianças aos adultos – o autor a qualifica como ‘uma das doenças mais penetrantes da atualidade’ ainda pouco conhecida por psicólogos e psicoterapeutas, ‘não raro a SPA é confundida com hiperatividade ou transtorno do déficit de atenção’.

Como tantos outros, na contra capa uma advertência: ‘Você sofre por antecipação? Acorda cansado? Não tolera trabalhar com pessoas lentas? Tem dores de cabeça ou muscular? Esquece-se das coisas com facilidade? Se você respondeu que ‘sim’ a alguma dessas questões, é bem provável que sofra da Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA) – o grifo é nosso. E continua, ‘neste livro, você entenderá como funciona a mente humana para ser capaz de desacelerar seu pensamento, gerir sua emoção de maneira eficaz e resgatar sua qualidade de vida.

Senso Comum ou ciência?

A grande preocupação é que esses autores começam - homeopaticamente - a serem utilizados como referência bibliográfica em cursos de graduação e pós-graduação em faculdades e Universidades, desconhecendo valor científico da metodologia.

Luiz Humberto Carrião

28 de maio de 2014

O CÉU DOS SUICIDAS / Ricardo Lísias. – Rio de Janeiro : Objetiva, 2012.

Ricardo Lísias nasceu em 1975, em São Paulo. Publicou os os romances Cobertor de Estrelas (Rocco) traduzido para o espanhol e o galego, Duas praças (Globo), terceiro colocado no prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira de 2006, e O livro dos mandarins (Alfaguara), finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, em 2010. É autor também do livro de Contos Anna O e outras novelas (Globo), finalista do Prêmio Jabuti de 2008.

O livro descreve um recorte da convivência do autor com um sentimento de culpa relacionado a um amigo suicida apresentado com vários sintomas de transtorno de personalidade como ideia de suicídio, internamento em clínicas especializadas, automutilação, sensibilidade à flor da pele, ansiedade incontrolável, surto de ira: quebra de filtro, máquina de café, liquidificador, forno microondas e computador; uso de drogas ilícitas e finalmente, suicídio consumado, ao tempo em que, coloca para fora seus ‘monstros’, também. O céu do suicida é a própria morte - 'quem disse que é errado morrer'?

Luiz Humberto Carrião

13 de janeiro de 2014

FRANZ KAFKA, uma análise biográfico-psicanalítica

KAFKA E A MARCA DO CORVO: romance biográfico sobre a vida e o tempo de Franz Kafka / Jeanette Rozsas. -São Paulo: Geração Editorial, 2009.

Literatura e Psicanálise – existe relação entre elas? Uma coisa é certa, a literatura pré-existe à psicanálise. Depois, Gilcia Gil Becker assevera que ‘como fruto da subjetividade e forma sublimatória da pulsão, a literatura fornece preciosos elementos para análise das manifestações inconscientes’, reporta a Freud ‘que sempre reconheceu o quanto a arte e a literatura anteciparam e confirmaram as descobertas da clínica psicanalítica’. O grego Sófocles que o diga!

Jeanette Rozsas nos coloca como psicanalista numa cadeira ao lado de um divã onde Franz Kafka se dispõe a falar de sua infância interrompida, de sua adolescência roubada, das invalidações, de sua mente inquieta. Na adultez, os esforços frenéticos para evitar um abandono real ou imaginário; relacionamentos instáveis; perturbação de identidade com resistência a autoimagem; recorrência a pensamentos suicidas; instabilidade afetiva; sentimento crônico de vazio.

Não se trata de obra de ficção. Jeanette construiu os diálogos com esmero cuidado na seleção de cartas e diários do biografado e seus amigos mais próximos. Traz desde a sua introdução um extraordinário texto descritivo sobre a cidade de Praga do quarto quartel do século XIX. Texto que se prende aos detalhes valorizando as mínimas coisas. Uma paisagem que se confunde com o próprio Kafka. Praga e Kafka se fundiram em uma só entidade. A beleza de sua obra acabou por adornar uma joia esculpida pelos mais belos artistas do Império Austro-Húngaro, a cidade velha de Praga.

Um livro necessário à estante de psicólogos, psiquiatras, psicanalistas. Em ‘Kafka e a marca do corvo’ o leitor não deixa de ser um analista num romance biográfico que revela toda a subjetividade humana.


Luiz Humberto Carrião (l.carriao@bol.com.br) 

14 de dezembro de 2013

ALTA SENSIBILIDADE EMOCIONAL, novas perspectivas/Helena Polak: Clube de Autores. São Paulo. 2013.

A autora é professora e tradutora. Mora nos arredores de Belo Horizonte – MG, onde curte a família, amigos, as leituras, o trabalho e a natureza. Interessou-se pelo tema Transtorno de Personalidade Borderline (Limítrofe) após um caso de pessoa muito próxima, onde, após pesquisas e estudos sobre o tema publicou o livro Sensibilidade à flor da pele. Neste primeiro livro a autora de enfoque especial às pessoas que convivem com o ‘border’. Interessante contribuição à literatura brasileira sobre o assunto, uma vez que a grande maioria de site, blogs e publicações encontram-se, principalmente, no idioma inglês. A aceitação trouxe a responsabilidade de publicar uma obra para o portador de TPB com definições sobre o transtorno, sua identificação, a necessidade de um profissional qualificado para o fechamento do diagnóstico, seu tratamento e dicas para o paciente.

Traz uma informação nova exarada do Primeiro Congresso Internacional sobre Borderline, realizado na cidade de Berlim, na Alemanha, no ano de 2010, onde um dos novos nomes propostos para o distúrbio é ‘Transtorno de Regulação Emocional’, pois segundo a autora, é justamente a ‘(des)regulação emocional’ que traduz a dificuldade que a pessoa tem em regular, modular, controlar e até reconhecer e classificar suas próprias emoções.

Segundo a autora, ‘foi justamente pensando neste aspecto – o da frequente demora em se encontrar ajuda terapêutica eficaz – e considerando que esse tempo perdido é traduzido em sofrimento para todas as pessoas e sua família – que tomamos a iniciativa de oferecer uma compilação de ‘primeiros passos’ para que a própria pessoa com sintomas Borderline possa ir adquirindo mais consciência e autoconfiança até que se consiga ter acesso ao devido apoio profissional’.

O livro é encerrado com depoimentos de algumas pessoas diagnosticadas com Transtorno de Personalidade Borderline o que enriquece o propósito da obra.

Luiz Humberto Carrião (l.carriao@bol.com.br)

2 de dezembro de 2013

UMA MENTE INQUIETA, Kay Redfield Jamison : tradução de Waldeia Barcelos. – 2ª edição. – São Paulo: Editora WMF Martins Fontes. 2009.

‘Um extraordinário relato sobre a doença maníaco-depressiva. Belo. Humano e rico em informações médicas. Às vezes poético outras vezes direto, sempre despudoradamente honesto’. (The New York Times Book Review)

Psicose Maníaca Depressiva atualmente conhecida como Transtorno Bipolar é uma desordem cerebral que provoca alterações incomuns no humor, energia e capacidade de desempenhar funções. Um indivíduo com Transtorno Bipolar sofre alterações de humor desde a mania (euforia) até a depressão (tristeza, baixo estima e baixa autoestima). Durante a fase de mania aparece como sintomas: sentir-se como no topo do mundo, abundância de energia, falar e pensar rapidamente, expor numerosas ideias, pensar que é invencível, ter comportamentos imprudentes e perigosos para si e para os outros, ter delírios de fama, acreditar que tem relacionamento especial com alguém famoso, sofrer falta de sono, ser facilmente distraído e frequentemente irritável. Por outro lado, durante a fase depressiva: sentimento de falta de esperança, perda de interesse em outras pessoas e atividades usuais, sofrer flutuação de peso, sensação de cansaço contínuo, dormir mais que o normal ou ser vítima da insônia, queixa de dores inexplicáveis, problemas de concentração e risco de suicídio. Sobre as causas são relacionadas: a hereditariedade, alterações químicas cerebrais e o estresse. No caso do transtorno bipolar não se trata apenas de mudanças de humor durante o dia, mas sim alternâncias de fases entre mania e depressão que podem durar dias, semanas e meses. Envolve uso de álcool e outras drogas. Podem incluir sintomas psicóticos como alucinações (escutar, ver e sentir coisas que não estão ali) e delírios (falsas crenças mantidas com grande convicção). O tratamento normalmente associa o medicamentoso com psicossocial cujo sucesso quase sempre está relacionado à sua continuidade.

Uma mente inquieta é um livro único. Traz a experiência de uma profissional da saúde, Kay Redfield Jamison – professora associada de psiquiatria da ‘The Johns Hopkins University of Medicine’. Coautora com o doutor Frederick K. Godwin de um dos melhores textos de transtornos afetivos. O livro ‘Uma mente Inquieta’ tornou-se literatura indispensável aos profissionais da saúde relacionados e pacientes portadores do Transtorno Bipolar. Cientista dedicada à pesquisa e ao tratamento de uma doença em que convive como paciente, chegando ao sucesso profissional conquistando respeitabilidade mundial enfrentando os preconceitos, dificuldades, alegrias e tristezas no seu caminhar no tempo e no espaço.

Uma mente inquieta é um testemunho-biográfico corajoso de uma psicóloga clinica, de leitura que prende o leitor de seu inicio ao fim. Um livro para ser lido numa sentada só.

Eu não gostaria de voltar a passar por uma depressão prolongada. Ela exaure os relacionamentos através da suspeita, da falta de confiança e de amor-próprio, da incapacidade de aproveitar a vida, de caminhar, conversar ou raciocinar normalmente, da exaustão, dos terrores noturnos, dos terrores diurnos. Não há nada de bom que se possa dizer da depressão, a não ser que ela nos dá a experiência de como deve será velhice, ser velho e doente, estar à morte; ter a mente lerda. Não ter elegância, educação ou coordenação; ser feio; não acreditar nas possibilidades da vida, nos prazeres do sexo, na perfeição da música ou na capacidade de provocar riso em nós mesmos e nos outros’. (Uma mente inquieta, p. 259/260).


Luiz Humberto Carrião (l.carriao@bol.com.br)