"Borderline é um termo em inglês que quer dizer fronteiriço, limítrofe, e que denomina o transtorno de pessoas que vivem exatamente assim: no limite de suas emoções" - Ana Beatriz Barbosa Silva, médica pós-graduada em psiquiatria e escritora.

28 de maio de 2014

O CÉU DOS SUICIDAS / Ricardo Lísias. – Rio de Janeiro : Objetiva, 2012.

Ricardo Lísias nasceu em 1975, em São Paulo. Publicou os os romances Cobertor de Estrelas (Rocco) traduzido para o espanhol e o galego, Duas praças (Globo), terceiro colocado no prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira de 2006, e O livro dos mandarins (Alfaguara), finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, em 2010. É autor também do livro de Contos Anna O e outras novelas (Globo), finalista do Prêmio Jabuti de 2008.

O livro descreve um recorte da convivência do autor com um sentimento de culpa relacionado a um amigo suicida apresentado com vários sintomas de transtorno de personalidade como ideia de suicídio, internamento em clínicas especializadas, automutilação, sensibilidade à flor da pele, ansiedade incontrolável, surto de ira: quebra de filtro, máquina de café, liquidificador, forno microondas e computador; uso de drogas ilícitas e finalmente, suicídio consumado, ao tempo em que, coloca para fora seus ‘monstros’, também. O céu do suicida é a própria morte - 'quem disse que é errado morrer'?

Luiz Humberto Carrião

13 de janeiro de 2014

FRANZ KAFKA, uma análise biográfico-psicanalítica

KAFKA E A MARCA DO CORVO: romance biográfico sobre a vida e o tempo de Franz Kafka / Jeanette Rozsas. -São Paulo: Geração Editorial, 2009.

Literatura e Psicanálise – existe relação entre elas? Uma coisa é certa, a literatura pré-existe à psicanálise. Depois, Gilcia Gil Becker assevera que ‘como fruto da subjetividade e forma sublimatória da pulsão, a literatura fornece preciosos elementos para análise das manifestações inconscientes’, reporta a Freud ‘que sempre reconheceu o quanto a arte e a literatura anteciparam e confirmaram as descobertas da clínica psicanalítica’. O grego Sófocles que o diga!

Jeanette Rozsas nos coloca como psicanalista numa cadeira ao lado de um divã onde Franz Kafka se dispõe a falar de sua infância interrompida, de sua adolescência roubada, das invalidações, de sua mente inquieta. Na adultez, os esforços frenéticos para evitar um abandono real ou imaginário; relacionamentos instáveis; perturbação de identidade com resistência a autoimagem; recorrência a pensamentos suicidas; instabilidade afetiva; sentimento crônico de vazio.

Não se trata de obra de ficção. Jeanette construiu os diálogos com esmero cuidado na seleção de cartas e diários do biografado e seus amigos mais próximos. Traz desde a sua introdução um extraordinário texto descritivo sobre a cidade de Praga do quarto quartel do século XIX. Texto que se prende aos detalhes valorizando as mínimas coisas. Uma paisagem que se confunde com o próprio Kafka. Praga e Kafka se fundiram em uma só entidade. A beleza de sua obra acabou por adornar uma joia esculpida pelos mais belos artistas do Império Austro-Húngaro, a cidade velha de Praga.

Um livro necessário à estante de psicólogos, psiquiatras, psicanalistas. Em ‘Kafka e a marca do corvo’ o leitor não deixa de ser um analista num romance biográfico que revela toda a subjetividade humana.


Luiz Humberto Carrião (l.carriao@bol.com.br) 

14 de dezembro de 2013

ALTA SENSIBILIDADE EMOCIONAL, novas perspectivas/Helena Polak: Clube de Autores. São Paulo. 2013.

A autora é professora e tradutora. Mora nos arredores de Belo Horizonte – MG, onde curte a família, amigos, as leituras, o trabalho e a natureza. Interessou-se pelo tema Transtorno de Personalidade Borderline (Limítrofe) após um caso de pessoa muito próxima, onde, após pesquisas e estudos sobre o tema publicou o livro Sensibilidade à flor da pele. Neste primeiro livro a autora de enfoque especial às pessoas que convivem com o ‘border’. Interessante contribuição à literatura brasileira sobre o assunto, uma vez que a grande maioria de site, blogs e publicações encontram-se, principalmente, no idioma inglês. A aceitação trouxe a responsabilidade de publicar uma obra para o portador de TPB com definições sobre o transtorno, sua identificação, a necessidade de um profissional qualificado para o fechamento do diagnóstico, seu tratamento e dicas para o paciente.

Traz uma informação nova exarada do Primeiro Congresso Internacional sobre Borderline, realizado na cidade de Berlim, na Alemanha, no ano de 2010, onde um dos novos nomes propostos para o distúrbio é ‘Transtorno de Regulação Emocional’, pois segundo a autora, é justamente a ‘(des)regulação emocional’ que traduz a dificuldade que a pessoa tem em regular, modular, controlar e até reconhecer e classificar suas próprias emoções.

Segundo a autora, ‘foi justamente pensando neste aspecto – o da frequente demora em se encontrar ajuda terapêutica eficaz – e considerando que esse tempo perdido é traduzido em sofrimento para todas as pessoas e sua família – que tomamos a iniciativa de oferecer uma compilação de ‘primeiros passos’ para que a própria pessoa com sintomas Borderline possa ir adquirindo mais consciência e autoconfiança até que se consiga ter acesso ao devido apoio profissional’.

O livro é encerrado com depoimentos de algumas pessoas diagnosticadas com Transtorno de Personalidade Borderline o que enriquece o propósito da obra.

Luiz Humberto Carrião (l.carriao@bol.com.br)

2 de dezembro de 2013

UMA MENTE INQUIETA, Kay Redfield Jamison : tradução de Waldeia Barcelos. – 2ª edição. – São Paulo: Editora WMF Martins Fontes. 2009.

‘Um extraordinário relato sobre a doença maníaco-depressiva. Belo. Humano e rico em informações médicas. Às vezes poético outras vezes direto, sempre despudoradamente honesto’. (The New York Times Book Review)

Psicose Maníaca Depressiva atualmente conhecida como Transtorno Bipolar é uma desordem cerebral que provoca alterações incomuns no humor, energia e capacidade de desempenhar funções. Um indivíduo com Transtorno Bipolar sofre alterações de humor desde a mania (euforia) até a depressão (tristeza, baixo estima e baixa autoestima). Durante a fase de mania aparece como sintomas: sentir-se como no topo do mundo, abundância de energia, falar e pensar rapidamente, expor numerosas ideias, pensar que é invencível, ter comportamentos imprudentes e perigosos para si e para os outros, ter delírios de fama, acreditar que tem relacionamento especial com alguém famoso, sofrer falta de sono, ser facilmente distraído e frequentemente irritável. Por outro lado, durante a fase depressiva: sentimento de falta de esperança, perda de interesse em outras pessoas e atividades usuais, sofrer flutuação de peso, sensação de cansaço contínuo, dormir mais que o normal ou ser vítima da insônia, queixa de dores inexplicáveis, problemas de concentração e risco de suicídio. Sobre as causas são relacionadas: a hereditariedade, alterações químicas cerebrais e o estresse. No caso do transtorno bipolar não se trata apenas de mudanças de humor durante o dia, mas sim alternâncias de fases entre mania e depressão que podem durar dias, semanas e meses. Envolve uso de álcool e outras drogas. Podem incluir sintomas psicóticos como alucinações (escutar, ver e sentir coisas que não estão ali) e delírios (falsas crenças mantidas com grande convicção). O tratamento normalmente associa o medicamentoso com psicossocial cujo sucesso quase sempre está relacionado à sua continuidade.

Uma mente inquieta é um livro único. Traz a experiência de uma profissional da saúde, Kay Redfield Jamison – professora associada de psiquiatria da ‘The Johns Hopkins University of Medicine’. Coautora com o doutor Frederick K. Godwin de um dos melhores textos de transtornos afetivos. O livro ‘Uma mente Inquieta’ tornou-se literatura indispensável aos profissionais da saúde relacionados e pacientes portadores do Transtorno Bipolar. Cientista dedicada à pesquisa e ao tratamento de uma doença em que convive como paciente, chegando ao sucesso profissional conquistando respeitabilidade mundial enfrentando os preconceitos, dificuldades, alegrias e tristezas no seu caminhar no tempo e no espaço.

Uma mente inquieta é um testemunho-biográfico corajoso de uma psicóloga clinica, de leitura que prende o leitor de seu inicio ao fim. Um livro para ser lido numa sentada só.

Eu não gostaria de voltar a passar por uma depressão prolongada. Ela exaure os relacionamentos através da suspeita, da falta de confiança e de amor-próprio, da incapacidade de aproveitar a vida, de caminhar, conversar ou raciocinar normalmente, da exaustão, dos terrores noturnos, dos terrores diurnos. Não há nada de bom que se possa dizer da depressão, a não ser que ela nos dá a experiência de como deve será velhice, ser velho e doente, estar à morte; ter a mente lerda. Não ter elegância, educação ou coordenação; ser feio; não acreditar nas possibilidades da vida, nos prazeres do sexo, na perfeição da música ou na capacidade de provocar riso em nós mesmos e nos outros’. (Uma mente inquieta, p. 259/260).


Luiz Humberto Carrião (l.carriao@bol.com.br)

17 de novembro de 2013

O CORPO E SEUS SÍMBOLOS – uma antropologia essencial – Jean-Yves Leloup / org. Lise Mary Alves de Lima19ª ed. Petrópolis RJ: Ed Vozes, 2011.

Jean-Yves Leloup é sacerdote hesicasta, teólogo, filósofo, Phd em psicologia, fundador do Colégio Internacional dos Terapeutas, conferencista e escritor conhecido mundialmente. Possui dezenas de publicações na área da espiritualidade e da exegese, dentre as quais Judas e Jesus, Jesus e Maria Madalena e os comentários aos evangelhos apócrifos de Maria, Tomé e Felipe.

O corpo e seus símbolos – uma antropologia essencial – é um livro fiel ao Seminário com o mesmo título, numa tradução de Regina Fittipalde, da Unipaz, onde o autor dentro da visão trinitária: somática, psíquica e espiritual percorre o universo do corpo dos pés à cabeça revelando a inteireza do templo carnal humano.

O autor parte do princípio de que o corpo humano é a memória mais arcaica do vivente. Nele nada passa despercebido ou é esquecido. A cada acontecimento vivido, particularmente, na primeira-infância, bem como na vida adulta, deixa nele sua marca indelével. Toma como referência a Bíblia, os costumes de judaicos, chineses e hindus e os Terapeutas de Alexandria, que na sua origem não eram médicos, e sim, membros de uma Escola Judaica que existia antes e durante a presença de Jesus neste Planeta. Espalhados por várias regiões do mundo, com maior expressividade no Egito, na cidade de Alexandria, cujo propósito era o de ‘cuidar do ser’. Afirmavam: enquanto os médicos cuidam do corpo, os Terapeutas de Alexandria cuidam também do psiquismo responsáveis por doenças penosas e difíceis como o apego ao prazer, à desorientação do desejo, tristeza, fobias, inveja, ignorância, desajustamento responsável por uma série de outras patologias e sofrimentos, abordando o homem em sua inteireza: corpo, psique e espírito. Estudar o corpo humano em cada uma de suas partes do ponto de vista físico, psicológico e espiritual.

O autor começa sua análise pelos pés indo até a cabeça, onde ao enfocar os tornozelos propõe uma releitura menos Freudiana e mais Junguiana e transpessoal do mito de Édipo, referenciando-se a mitólogos e etnólogos, dentre eles Lévi-Strauss, alegando ‘que este mito não funciona da mesma maneira em todas as culturas e há outros modos de interpretá-lo’. Quando aborda o ventre assevera que ‘ter ventre é ter centro’ e exemplifica referenciando a esculturas romanas, Cristo, Virgens Romanas, Buda, Lão Tse. Todos com ventres proeminentes. Uma observação em relação à coluna vertebral: ‘não se pode mentir com a coluna vertebral ereta. Na presença da mentira ela sempre se inclinará para o lado, e outras interessantes análises.

Se não podemos mudar nossa natureza, que ao menos a oriente.

Ao final de cada capítulo perguntas sobre o texto respondido de maneira pedagógica pelo autor.

Luiz Humberto Carrião (l.carriao@bol.com.br)

13 de novembro de 2013

SENSIBILIDADE À FLOR DA PELE – entendendo o Transtorno Borderline / Helena Polak: Clube de Autores. 2013.

Helena Polak é professora e tradutora, moradora nos arredores de Belo Horizonte MG, curtindo a família, os amigos, as leituras, o trabalho, a natureza e após deparar-se com um familiar com comportamentos ‘inesperados e preocupantes’ saiu em busca de uma explicação para o fato. Pesquisou, estudou, consultou profissionais da área de saúde mental até que foi constatado o Transtorno de Personalidade Borderline (limítrofe). Diante da eficácia de abordagens específicas resolveu compartilhar através do livro ‘esclarecimentos iniciais sobre diversos aspectos de um transtorno pouco conhecido ainda pelo público em geral, porém, bastante comum’, oferecendo experiência de como conviver com um ‘border’ – indivíduo acometido pelo transtorno. Agrega ao livro comentários de pessoas com características borderline e depoimentos de pessoas de covivência comum com os mesmos. O livro foi editado pelo Clube de Autores, podendo ser adquirido na versão impressa ou eletrônica pelo site www.clubedeautores.com.br.

1 – Por que distorce os fatos?
2 – Como pode ter uma memória tão seletiva?
3 – Por que fica tão transtornada quando acha que alguém está desconfiando dela?
4 – Por que fica descontrolada com uma pequena mudança de planos?
5 – Por que às vezes dá ‘patadas’ quando alguém faz um comentário com as melhores intenções?
6 – Por que varia de humor de uma hora para outra?
7 – Por que me acusa de coisas injustamente?
8 – Por que me ataca e me xinga sem motivo aparente?
9 – Por que às vezes tenho a impressão de que ela não dá a mínima para os meus sentimentos?
10 – Como pode me prejudicar em termos financeiros e profissionais sem demonstrar remorso?
11 – Por que tantas vezes me sinto manipulado e encurralado?
12 – Como é que ela consegue ser tão convincente em suas declarações – mesmo incorretas – perante os outros?

Para a autora, são perguntas que se já passaram por sua cabeça, é possível que você esteja diante de uma pessoa com Transtorno de Personalidade Limítrofe (Borderline). Em caso de positividade, a mesma deve ser ‘contemplada, avaliada e/ou confirmada por um profissional da área de saúde mental’, no entendimento da autora, ‘única pessoa com competência para diagnosticar e fazer o tratamento e acompanhamento terapêutico’ de um border. Entretanto, continua a autora, ‘a participação positiva dos que amam a pessoa assim diagnosticada é de suma importância, razão pela qual são oferecidas as informações e dicas aqui contidas’ (no livro).

Sensibilidade à flor da pele – entendendo o Transtorno Borderline – um livro escrito por uma autora não acadêmica ou profissional da área de saúde mental torna-se leitura obrigatória àqueles que convivem com indivíduos portadores do Transtorno. Mais do que alusivo a pesquisas, estudos, consultas - Helena Polak traz uma vivência com um ‘border’.


Luiz Humberto Carrião (l.carriao@bol.com.br)

24 de outubro de 2013

BORDERLINE – criança interrompida, adulto borderline Taty Ades e Eduardo Ferreira Santos. São Paulo. Editora Isis. 2012

As doenças e traços de personalidade estão sendo discutidas por psicanalistas e sociólogos como fator sociocultural, o que em minha opinião (da autora), é de extrema relevância e importância. Os casos de pacientes depressivos estão aumentando consideravelmente desde os anos 70 e se levarmos em conta que 70% da população sofre desse mal, pode parecer algo assustador e de fato é. Os casos limítrofes são diagnosticados com maior porcentagem, vamos então refletir a dor dessas pessoas e o que a modernidade, o social, o cultural, a mídia podem provocar e desencadear nelas.

O borderline aprende desde muito cedo na vida, que ele é uma pessoa ruim, e que ele faz com que as coisas ruins aconteçam. Ele começa a esperar por punições e se elas não vêm, ele mesmo irá buscá-las, causá-las (autopunições). Geralmente apresenta-se no início da fase adulta, trazendo grande instabilidade emocional, descontrole dos impulsos e risco de suicídio bastante aumentado, o qual tende a diminuir com o avanço da idade. 

O indivíduo borderline vive uma quantidade excessiva de crises, estressores ambientais, relacionamentos interpessoais problemáticos, situações ocupacionais difíceis. Fica realmente complicada para ele desfrutar ou encontrar significado na vida.

É muito comum não conseguirem seguir uma profissão, uma ocupação, por diversos motivos, entre eles: não lidam bem com críticas, têm baixa tolerância à frustração, apresentam dificuldade em se concentrar, em perseverar, apresentam uma incapacidade de aceitar regras e torina. Além isso, são bastante inconstantes em sua opiniões e planos.

É importante frisar que o TPB é uma doença seríssima e não uma característica de uma pessoa mimada querendo chamar atenção. Isso não significa que o borderline não deva ser responsável pelos seus erros e faltas de limites, ele deve com entender o problema e conseguir brecar essa falta de controle e impulsos trabalhando junto ao seu psicanalista.

Borderline, criança interrompida – adulto borderline é um livro esclarecedor de leitura obrigatória a todo border, bem como aqueles com os quais ele convive por desnudar a complexidade do TPB.

De leitura fácil, agradável, o livro prende o leitor de seu início ao fim, como se diz: ‘livro para ser lido numa sentada’.

Desmascara mitos ao estabelecer correlação com outros transtornos existentes.

Traz um foco muito interessante sobre o borderline na idade adulta, inclusive, muito rico em depoimentos.

Insiste da necessidade de um correto diagnóstico para a eficácia no tratamento. O contrário pode trazer prejuízos acentuados, inclusive, com a ilustração por parte de um paciente tratado por longos anos de maneira equivocada.

Dedica um capítulo a discussão da imputabilidade e inimputabilidade do portador de borderline.

Ao final, um depoimento emocionante de Lola, uma border adulta problema por ter sido uma criança interrompida. ...'Ele se aproximou e tocou meus pés, massageando-os, depois foi subindo e prosseguiu a massagear minhas coxas e penas, lembro-me bem da camisola de Minie que eu usava, hoje penso no contraste dessa cena! Quando me tocou lá... eu senti medo, confusão, mas ele era meu pai. Os encontros prosseguiram e aos oito anos senti a dor física de estar sendo penetrada, algo dentro de mim arrebentou, o sangue jorrou e minha infância se quebrou também. Não sei como aguentei calada, mas sei que a dor permaneceu por dias, senti febre e disse a minha mãe que não queria ir ao médico, de alguma forma eu lutei e sobrevivi. Meu pai era o catador de conchas, o estuprador, o pedófilo, quanta contradição!...'


Luiz Humberto Carrião (l.carriao@bol.com.br)